segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:

1924

Manifesto Surrealista

1925

Leão Trotsky: Lenine

1938

Por uma Arte Revolucionária Independente

André Breton

1896 - 1966

Foto de Breton

De 1927 a 1935 André Breton foi membro do Partido Comunista Francês, e a partir dai rompeu com a orientação do PCF, desgostoso com a orientação Estalinista e sob o impacto dos "Processos de Moscou". Permaneceu, porém, marxista e se aproximou da posições de Leon Trotsky, com quem teve numerosos encontros e trocou importante correspondência. Em 1938, o mestre do surrealismo, fundou com Leon Trotsky, então no México, a Federação da Arte Revolucionária Independente. Com a ocupação Nazista da França, foi para os Estados Unidos com Marcel Duchamp e Max Ernstman.


Remedios Varo Uranga (16 de Dezembro de 1908 - 8 de Outubro de 1963) foi uma pintora surrealista. Ela nasceu em Anglés Cataluña, Espanha e morreu de ataque cardíaco na Cidade do México em 1963. Durante a Guerra Civil Espanhola, Remedios mudou-se para Paris onde foi grandemente influenciada pelo movimento surrealista. Ela foi forçada a exilar-se da capital francesa durante a ocupação nazista da França e mudou-se para a Cidade do México em fins de 1941. Embora ela considerasse o México como um refúgio temporário, o país acabou por tornar-se sua residência definitiva.











O surrealismo surge no princípio dos anos vinte de um grupo de poetas liderados por André Bretón, procedentes do dadaísmo (movimento artístico e literário, aparecido na França em 1916, que preconizava a volta a um primitivismo infantil).

É assim um movimento artístico de vanguarda surgido na França que buscava a exteriorização, lingüística ou plástica da espontaneidade e depurações de ordem racional ou moral. Opondo-se ao impulso anárquico de destruição proposto pelos dadaístas, o surrealismo pretendeu definir uma prática artística alternativa à tradicional. Traz com ele o propósito utópico comum a todos os movimentos vanguardistas:" um homem novo em uma sociedade nova".

Em 1.924, André Breton, ao publicar seu primeiro manifesto do surrealismo, propôs aos artistas e escritores para que expressassem o pensamento de maneira livre, espontânea e irracional, externando os impulsos da vida interior, sem exercer sobre ele qualquer controle, inclusive de ordem estética ou moral.

Segundo André Breton, "Surrealismo é o automatismo psíquico puro pelo qual se propõe expressar, verbalmente, por escrito, ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. O pensamento é ditado com ausência de qualquer outro exercício da razão, a margem de toda preocupação com estética ou moral. Em outras palavras: existe outra realidade, tão real e lógica como a exterior, que é a dos sonhos, da fantasia, dos jogos espontâneos do inconsciente que se desenvolve a margem de toda a função filosófica, estética ou moral.

Assim, o movimento pretendeu superar a realidade fragmentária e falsa apresentada pela nossa lógica, nossa moral e nossa estética rígida, para chegar a uma realidade superior. Propõe-se assim a afastar o que é convencional e fazer surgir a parte do homem que menos se expressa: o subconsciente.

Como estética, o surrealismo quis ir além da mera reprodução da realidade que até o momento imperava. Para o surrealismo toda expressão artística deve referir-se não ao modelo externo, mas sim a outro, o interno, não condicionado por modelos culturais. Para atingir a esse "modelo interior", os surrealistas propuseram uma série de técnicas (automatismo, associações livres, hipnoses, "colagem" etc.) destinadas a liberar o potencial imaginativo e criativo do subconsciente.

Desse modo, como característica do movimento podemos enumerar: a natureza aparece nas obras de forma hostil, os seguidores são influenciados pela psicanálise de Freud, sobressai o que é inconsciente, rejeita-se o consciente. O tema principal é o "sonho".

Foi assim que fora de qualquer preocupação estética ou moral, nasceu o surrealismo da pintura metafísica ambiental de De Chirico, Carrà e Moran.

Entre os principais precursores do surrealismo temos: Willian Blakem Odilon Redon, Hieronymos Bosch e até mesmo Goya. Os inspiradores diretos do movimento foram: Hegel, Apollinaire e principalmente Sigmund Freud. Isso mesmo, aquele da psicanálise.

Entre os pintores são citados: Chagal, Max Ernest, Ives Tanguy, André Masson, René Magritte, Picasso, Joan Miró e a grande estrela desse movimento: Salvador Dali.

Dalí (Espanha-Figueras 1904-1989) apesar de se incorporar ao surrealismo quando o movimento já contava com alguns anos de existência e se de separar do mesmo relativamente rápido, é considerado pela imensa maioría de público como o paradigma do artista surrealista.

Isso se deve não só ao fanatismo com que ele se entregou à expressão onírica e a interpretação dos sonhos, como também à forma deliberadamente provocativa com que se supos exiibir todas as circunstancias íntimas de sua vida e seu pensamento.

Dalí foi um pintor surrealista de fanática dedicação. Seu método, chamado de "paranoicocrítico"- pareceu ajustar-se em um todo à sua pintura pela "excitação provocada pelas faculdades de espírito" e pela "organização de uma produção voluntaria e regular do objetivo".

Entre os anos 1937-1938, por sugestião do classicismo, Dalí situa a sua arte em uma zona, que, se é heterodoxa à respeito do surrealismo programático, não deixa de estar ligada por fios sutís ao" sistema em vigor". Bretón denunciou a "impureza" e o expulsou do movimento.

Hoje em dia a pintura de Dalí pode dizer-se que continua atada à mesma sistemática intima, mesmo quando com uma alteração de nome. Se antes sera "paranoicocrítico", agora se chama "misticismo". Isso se deve a falta de sua associação "legal" ao surrealismo. É por tudo isso, que sua personalidade é distinguida há trinta anos.

Quem sabe, a melhor definição "didática" sobre o que seja surrealismo pode ser obtida examinando o quadro quase fotográfico de Cristo, na obra de Dali intitulada "Cristo de San Juan de la Crúz" (1951). Nela, Cristo paira sobre o mundo. Contudo, nossa visão esta acima de Cristo, acima do mundo. Isso só pode acontecer numa visão surrealista.

No cinema, em um coprodução com Dali, o espanhol Luís Buñuel, produziu Um Cão Andaluz (1928).

Deixando um pouco Dali de lado, retornemos ao tema. Como já foi dito, seguindo os princípios do surrealismo, poetas e pintores extravasaram suas fantasias, de forma livre, procurando encontrar na profundeza da alma e do espírito a realidade objetiva.

Os surrealistas buscam essa utopia liberando o mundo para o lado passional, para o inconsciente que havia sido revelado pelo psicanalista Freud. Sonhos e desejos são o material favorito do surrealismo. O artista tenta colocar em contato seu subconsciente com a obra de arte, eliminando a consciência no ato criativo. Serve-se de múltiplos caminhos: os sonhos, os mitos, a fantasia, as visões, as alucinações que produzem as drogas. Com tudo isso, buscam encontrar a percepção sensitiva e as possibilidades de expressão.

E o surrealismo, mais além de sua dimensão artística teve um objetivo último, e em certo modo transcendente: atingir uma radical renovação da humanidade, através da transformação de seus esquemas cultuais, pois segundo Breton: "o homem tem guardada em seu próprio pensamento, uma realidade desconhecida da qual depende, sem dúvida, a organização futura do mundo".
SALVADOR DALI
Através de imagens perturbadoras como esta que Salvador Dalí parte à descoberta das obscuras regiões do subconsciente humano. «Talvez tenha sido com Dalí», escreveu André Breton, «que, pela primeira vez, as janelas do subconsciente foram abertas de par em par.»
Pintado em 1936 e pertencente à colecção do Museu de Basileia, «A Besta Cósmica Masculina do Apocalipse», como lhe chamou o autor, desperta de imediato a atenção pelas suas reduzidas dimensões (35 x 27 cm) . Os insectos-picadores humanos de Dalí parecem confinados a um espaço extremamente reduzido. Mas no mundo dos maus sonhos, o espaço torna-se ilusório.
Os seres humanos alteram-se, os corpos tornam-se negros e esqueléticos. As mãos tacteiam desesperadamente no espaço como se dedilhassem uma harpa invisível.
À semelhança do zoólogo que estuda um espécime doente, o pintor examina minuciosamente cada pormenor do corpo macilento da mulher. O vestido, justo, não encobre nada. O corpo adquire o cinzento mortiço do céu nocturno. E um crepúsculo terrível enche o quadro.
A espantosa imaginação do artista evoca um mundo no qual nada faz sentido. As gavetas entreabertas que sobressaem estranhamente do corpo da mulher estão vazias. Terão sido saqueadas? O que teriam contido? As horríveis protuberâncias que se desenvolvem na espinha dorsal da mulher são suportadas por um sistema de muletas. Por trás, uma reprodução de si própria, mais um dos monstros femininos de Dalí, imóvel como uma estátua na planície. Há ramos que despontam na cabeça desta Dafne moderna. Como sempre na arte de Dalí, a civilização parece ter atingido um estádio de ruína e putrefacção.
No pulso, algumas peças reluzentes de joalharia exageram mais do que suavizam a miséria. A mão ergue no ar um lenço escarlate, de sangue, qual prémio por uma vitória.
Um pouco mais atrás na paisagem, a girafa a arder (do título), temos outro dos curiosos habitantes deste deserto fantasmático. As chamas projectam sombras tremulantes que fazem a já estranha terra parecer ainda mais estranha - e árida. Próximo dela, a pequena figura fantasmagórica não está ali para observar o que se passa à sua volta. Ela olha para fora do quadro, projectando uma longa sombra. Tal como a girafa, que também não parece ter sentido as chamas que a envolvem. Todos suportam a dor em silêncio e com uma espantosa resignação.
Em 1937, Dalí evocou as estranhas rochas do cabo Creus e transformou-as numa cabeça gigantesca sustentada por muletas, num quadro chamado «O Sono». Como pintor, Dalí foi um mestre do suspense psicológico. Estudou a história clínica de pacientes mentais e as interpretações dos sonhos de Freud. «Para ser possível dormir», escreveu ele acerca desta obra, «é necessário um sistema de muletas que constitua um equilíbrio psicológico. Se uma só delas falhar, surge imediatamente a insónia.»
A muleta reaparece na tela de Basileia desempenhando a sua bem conhecida função. Como uma criança, Dalí tinha fantasias eróticas envolvendo muletas, e estas tornaram-se num dos seus fetiches preferidos, numa obsessão, particularmente nos anos 30, quando estas surgem constantemente sob diversos aspectos. Tal com no quadro de Basileia, isso liga-se amiúde a repugnantes protuberâncias com a forma de pénis, sobressaindo do corpo decadente.
Todos os surrealistas queriam penetrar a mente humana. Mas Dalí foi mais longe, a sua pintura parece falar, como diz William Rubin, de estados exagerados de castração, putrefacção, voyeurismo, onanismo, cropofilia e impotência.
Ainda que expulso do movimento, Dalí foi um dos seus maiores expoentes, se não o surrealista por excelência.

SURREALISMO DE DALI A REMEDIOS ETC